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terça-feira, 17 de abril de 2012

Acidez do Dia - A antítese de Deus!

Olá, senhores e senhoras, tudo bem? Apresento-lhes o Mesmo!


O Mesmo é um cara solitário! Não conhece ninguém, não é casado, não tem filhos! Não tem namorada ou namorado (nada contra, até seria legal...)! O Mesmo só tem um ofício: colocar medo na gente! Ele sempre está à espreita, no hall dos elevadores de todo e qualquer prédio residencial e de todo e qualquer prédio comercial. O Mesmo é a antítese de Deus: não está em lugar nenhum! Ele é "antipresente"!
O Mesmo é a causa dos elevadores demorados, cheios, apinhados de gente. Você já reparou que em edifícios comerciais, ninguém sobe sozinho no elevador? Sabe por quê? Porque todos temos medo do Mesmo! A pessoa chega no hall dos elevadores e se depara com esta placa:



E cadê o Mesmo? Ele não está lá! Nunca está! Nunca estará! O Mesmo é a antítese do Popular, personagem eternizado por Luís Fernando Veríssimo! O Popular, na verdade, está no hall com seu envelope pardo, esperando pelo Mesmo para poder entrar no elevador! 
E onde estará o Mesmo? Será que ele está em alguma sala daquele andar, observando de soslaio as pessoas angustiadas, querendo, desejando sua presença para poderem entrar no elevador? Que angústia, meu Deus! 
O pior acontece nas residências, nos apartamentos! Você chega em casa, de madrugada, sozinho, sozinha; estaciona seu carro e entra na sua portaria. De repente, você olha para o aviso acima! O seu porteiro dorme na guarita! Não há ninguém no hall (será?), e você tem medo de olhar no corredor do elevador de serviço, pois o Mesmo pode estar lá! Ó, dúvida cruel: você sobe sem ver o Mesmo? Fica esperando até o Mesmo aparecer? E a bexiga apertada? Nem Deus pode te ajudar nessa hora, meu amigo, minha amiga! Nem mesmo o Mesmo! Só um conselho: antes de entrar no elevador, verifique se ele, o elevador (e não o Mesmo) encontra-se ali, parado, aberto, com o chão bem na sua frente! Porque se ele, o elevador, não estiver ali, além de não encontrar o Mesmo, você pode ter a chance de encontrar Deus, ou seja, Ele Mesmo! 
O Mesmo, na verdade, só pede uma coisa: que vocês parem de usá-lo indiscriminadamente! O Mesmo é uma entidade típica, única e exclusiva dos halls de elevadores, públicos ou privados! Ele fica possesso em ser utilizado nos textos jornalísticos, nos discursos políticos, nas redações de concursos! Se o Mesmo não está nem nos andares, como o mesmo, ou o Mesmo, pode estar em todos esses lugares? "Deixem-me em paz!", diz o Mesmo! O Mesmo não tem tempo para aparecer por aí, dando uma de gostosão! Ele quer ser trocado por qualquer outro pronome, menos o Mesmo! 
Lembre-se: o Mesmo está por aí, em qualquer lugar, menos no andar daquele elevador que você vai pegar para descer ou subir, para sair do trabalho ou chegar no seu apartamento! E se você mora em casa e trabalha em local que não possui elevador, cuidado! É justamente aí que o Mesmo não estará! E se ele é a antítese de Deus, verifique se o Mesmo (Meu Deus, o Mesmo quem? Deus ou o Mesmo?) encontra-se ali! 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Acidez do Dia - A morte e a morte do substantivo comum de dois!


Desculpem-me, mas eu estou bufando aqui! Espumando mais do que cachorro louco (ou cachorra louca... ou os dois... ou nenhum... ah, sei lá)!

Morra de inveja, Camille Paglia! Feminismo pouco é bobagem!

A cretinice humana é ilimitada, igual ao sinal da TIM! Quando eu penso que ela (ou ele) chegou ao limite do impossível, eis que surge a maior cretinice dos últimos tempos: a presidente Dilma (sim, eu vou chamá-la de presiDENTE até o fim do texto, e não tem lei que me faça mudar) sanciona uma LEI (sim, uma LEI), aprovada pelo Congresso Nacional (sim, pelo CONGRESSO), obrigando instituições de ensino a expedirem “diplomas e certificados com a flexão de gênero correspondente ao sexo da pessoa diplomada, ao designar a profissão e o grau obtido” (link aqui).
Eu, realmente, como dizem os mais jovens (ou as mais jovens... ou os dois... ou nenhum... ah, enfim!), “parei contigo, Dilma”! Você até vem fazendo um bom governo, é verdade! Melhor do que o seu antecessor L13. Mas convenhamos: gastar o seu tempo e sua massa cinzenta, que já não é lá essas coisas, com uma mesquinharia dessas, é demais!
Agora, a partir da lei, teremos “torneiras-mecânicas”, “pilotas”, “dentistos” e aberrações afins! Meu Deus, que fase, hein Dilma?
Não é preciso apenas governar: é preciso e necessário chocar! E mudar a gramática! Faltou colocar um artigo na lei: “Art. 4°A partir desta data, fica oficializada a morte do substantivo comum de dois gêneros”. Grosso modo, é isso que acontecerá. Se a lei obriga as instituições de ensino a expedirem os diplomas com a flexão correspondente, o jornalisTO e a jornalisTA terão seus diplomas de acordo com o devido gênero. E se o cara for gay (nada contra, até... ihhh, lá vem ele de novo!!!)? Olha que legal: ele pode escolher como ser chamado! Que tudo, amigããã!
O jornalisTO Celso Arnaldo Araújo escreveu em uma coluna que Dilma deve achar que essa lei é a maior realização de seu governo até agora! Ela mesma, que já chamou as criancinhas brasileiras em pronunciamento como “brasileirinhos e brasileirinhas”, e que já se adereçou aos jovens em um congresso de estudantes como “jovens homens e jovens mulheres”. Ué, como ficamos agora? Preparem-se, concurseiros e concurseiras: certamente surgirá uma autarquia especializada em criar e modificar os substantivos comuns de dois gêneros.

Essa decisão é de um machismo às avessas sem tamanho. A língua é viva, não se constrói por decretos e leis. Cria-se, principalmente, uma aversão ao feminismo enlatado do PT. Não mais se queimarão sutiãs... queimar-se-ão gramáticas e vocabulários. 
Chega, Daniel, como diz minha tia Célia! Como disse uma amiga da minha irmã, muito sabiamente, por sinal (e apenas para deixar bem claro): quero que continuem me chamando de Daniel, para evitar problemas futuros, ok?